Há 45 anos, saía o 1000ª gol de Pelé. Para desespero de Andrada

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"Era como se fosse eu contra o mundo inteiro."
Foi assim que um goleiro argentino se sentiu em solo brasileiro há exatamente 45 anos, mais precisamente às 23h11 daquela quarta-feira, ao se preparar para uma cobrança de pênalti adversária. Naquele 19 de novembro de 1969, porém, ele não estava representando a Albiceleste em uma partida contra a Seleção, ou sequer um time de seu país na Copa Libertadores.
Edgardo Andrada defendia a meta do Vasco, cuja torcida era maioria absoluta entre os 65 mil torcedores que enchiam as arquibancadas do Maracanã. E, embora estes mesmos vascaínos torcessem pela vitória de sua equipe contra o Santos, a 12 minutos do fim daquela partida decisiva pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, a marcação de um pênalti gerou uma reação imprevisível por parte da torcida que costuma o idolatrar em situações normais.
"O barulho era ensurdecedor e até mesmo os torcedores do Vasco se viraram contra mim", relembra Andrada, ainda perplexo. Absurdo? Nem tanto. Todos ali presentes pareciam ansiosos para testemunhar a quebra de uma marca histórica. Afinal, diante do arqueiro, quem se preparava para a cobrança era ninguém menos que Pelé.
O Rei do Futebol chegava àquela partida com 999 gols marcados na carreira e estava ávido para anotar o milésimo. Com a oportunidade, os torcedores rivais então se uniram - os do Vasco deixando de lado qualquer pretensão de vitória - e passaram a empurrar o Rei na busca pelo feito. Aos 33 anos, o craque tentava se tornar oficialmente o primeiro jogador da história a alcançar uma marca tão simbólica quanto impressionante.
Alguns segundos antes, Pelé havia provado que sua velocidade continuava impecável ao conseguir o pênalti que o país inteiro esperava. "A maioria das pessoas no Maracanã queria ver o gol, mas os jogadores do Vasco fizeram de tudo para impedir que isso acontecesse", recorda Pelé. "Eles ficaram me provocando, dizendo que aquele não era o dia. Mas estava destinado a ser. Algo tinha que acontecer para que eu tivesse a chance de marcar o gol e foi o que aconteceu."
Pelé partiu para a bola, fez uma pequena pausa e chutou de perna direita no canto esquerdo do goleiro argentino. Andrada saltou para o lado certo, mas, embora tenha tocado na bola, não conseguiu desviá-la de seu destino. "Pela primeira vez na minha carreira, fiquei realmente nervoso", continuou Pelé. "Andrada estava em grande fase. Nunca senti tamanha pressão. Eu estava tremendo. Mas eu tinha que cobrar e aí... Gooooooool! Que emoção! O estádio explodiu de alegria."
Pelé correu para o fundo da rede para pegar a bola enquanto um mar de repórteres invadia o campo para imortalizar suas primeiras palavras. "Pelo amor de Deus, minha gente", disse o craque, emocionado. "Agora que todos estão ouvindo, faço um apelo especial a todos: ajudem as crianças pobres, ajudem os desamparados. É o único apelo nesta hora muito especial para mim."
Alguns espectadores correram até Pelé para lhe dar de presente uma camisa do Vasco com o número 1.000 nas costas. O Rei vestiu a camisa e deu uma volta olímpica seguido pela multidão enlouquecida, beijando a bola o tempo todo e em lágrimas.
Andrada também chorou – inconsolavelmente. "Eu estava desesperado", disse o goleiro, que seria eternamente lembrado como o homem que sofreu o milésimo gol de Pelé. "Eu estava louco para defender o pênalti. Eu não queria de jeito nenhum entrar para a história dessa maneira."
As emoções foram tão intensas que o jogo levou 25 minutos para ser retomado. Quando a bola voltou a rolar, o Santos segurou a vitória por 2 a 1. Na verdade, ninguém se importava com isso. O dia 19 de novembro de 1969 ficaria marcado para sempre por um dos gols mais importantes da história do futebol.
1000ª gol de Pelé

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