Blatter se diz envergonhado, reitera 'acordo de cavalheiros' e vai recorrer na Justiça

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O suíço Joseph Blatter voltou a dizer que os 2 milhões de francos suíços (cerca de R$ 8 milhões) pagos a Michel Platini em 2011 foram devido a um "acordo de cavalheiros" feito com o francês. "Envergonhado" com o Comitê de Ética da Fifa pela decisão de suspendê-lo por oito anos, o cartola ainda prometeu recorrer na Justiça Desportiva.

"Vamos usar a Justiça Desportiva para ir além. Vamos de novo ao Comitê e também aos tribunais suíços. Sou um cidadão suíço. Na Justiça Suíça diz que se você é suspenso por oitro anos, é porque cometeu alguma coisa muito, muito importante. Estou envergonhado de que o Comitê está indo contra as evidências apresentadas", afirmou o suíço nesta segunda-feira.

Tanto Blatter quanto Platini foram considerados culpados pelo caso em que o agora ex-presidente da Fifa direcionou 2 milhões de francos suíços (cerca de R$ 8 milhões) a Platini em 2011, por serviços prestados entre 1998 e 2002. O Comitê de Ética da Fifa apostou que nenhum dos dois conseguiu justificar o pagamento e suspendeu ambos por oito anos.

"Vocês podem me definir como um otimista. A pagamento entre o presidente da Fifa e o Platini foi um contrato que não foi terminado. A gente pensou que estava limpo. Foi um acordo de cavalheiros", explicou o cartola.

"O acordo foi feito em 1998 após a Copa do Mundo quando o Platini me disse que gostaria de trabalhar com a Fifa. Ele me disse que era um homem caro, mas eu disse que não podíamos pagar ele naquele momento, pagaríamos depois. Fico atônito de o Comitê de Ética negar a existência desse acordo", acrescentou Blatter.

Os dois já cumpriam suspensão provisória de 90 dias desde o começo de outubro por causa do mesmo caso. No período, foram impedidos de exercer qualquer atividade ligada ao futebol. Agora, Blatter prometeu se defender com Comitê de Apelação e até ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS).

"Nelson Mandela falava sobre humanidade. E a humanidade precisa que os direitos humanos sejam respeitados. Digo isso pois era o slogan da Copa 2010. E digo isso porque hoje eu recebi a notícia da suspensão. Por que a mídia recebe esse tipo de notícia antes das pessoas envolvidas? Eu não sei. Eu sinto muito pelo futebol. Sinto muito pelos mais de 400 membros da Fifa. Sinto muito por esse tratamento nesse mundo de igualdades humanitárias", continuou o suíço.

ENTENDA O CASO

No dia 8 de outubro de 2015, o Comitê de Ética da Fifa confirmou a suspensão provisória de Blatter e Platini por 90 dias.

A decisão veio dias depois da Promotoria suíça anunciar a abertura de um processo contra Blatter por suspeitas de gestão desleal e abuso de confiança, além de investigar "um pagamento irregular" de dois milhões de francos suíços (cerca de dois milhões de euros no câmbio de hoje) que este fez ao presidente da Uefa, Platini, "em prejuízo da Fifa".

O pagamento em questão foi realizado em 2011, sem o conhecimento dos demais do Comitê Executivo da entidade. Tanto Blatter quanto Platini alegam que o dinheiro era referente ao período de 1998 a 2002, quando o francês atuou como consultor especial.

No período, Platini recebia um salário aproximado de 200 mil francos suíços anuais (R$ 800 mil). Os dirigentes, no entanto, dizem que acertaram um pagamento extra, a ser feito quando possível - Blatter alegou ao francês que a entidade não tinha como transferir todo o montante naquele momento, apesar de um superávit expressivo. A quantia de dois milhões, então, foi paga em nove anos depois, em 2011, meses antes de Blatter ser reeleito para mais um mandato na Fifa - a transferência não apareceu na prestação de contas da entidade.

A dupla admitiu que existiu apenas um acordo de cavalheiros pelo pagamento, sem um contrato formal, mas que era perfeitamente legal à luz das leis suíças. Assim, os dois se declararam inocentes e recorreram da suspensão provisória de 90 dias, mas tiveram os respectivos recursos negados.

Por outro lado, a lei do país europeu, segundo o jornal The Guardian, fixa um período de realização de pagamentos de no máximo cinco anos após o serviço prestado caso não haja um documento oficial.

Em 23 de novembro, o Comitê de Ética da entidade, chefiado pelo alemão Hans-Joachim Eckert, anunciou a abertura de um processo contra os dois por causa do pagamento, dias depois de um relatório de investigação ser finalizado. Oficialmente, eles foram acusados de corrupção, conflito de interesses, contabilidade falsa e por falta de cooperação com o comitê.

Na última quinta-feira, Blatter compareceu à sessão do Comitê de Ética da Fifa para fazer sua defesa. Perante a quatro juízes, ele fez esclarecimentos por oito horas. Mais tarde, declarou em nota que as evidências apresentadas o inocentariam. Já Platini enviou apenas seus advogados, em protesto por considerar que já foi declarado culpado pelo órgão.

Fonte:  MSN Esportes

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