A gente era feliz e não sabia! Há um ano, começava a Copa do Mundo no Brasil

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No dia 12 de junho de 2014, Brasil e Croácia deram o pontapé inicial do torneio que divertiu os estrangeiros, orgulhou os brasileiros (com exceção do 7 a 1) e gerou jogos emocionantes.

A primeira vez a gente não esquece: 12 de junho de 2014, na Arena Corinthians, em São Paulo. O jogo de abertura entre Brasil e Croácia apresentou a todos qual seria o verdadeiro legado desta Copa do Mundo: "OOOOEEEEEAAAAAAAA". Por um mês, cantarolar a música que abria as transmissões virou rotina. Era uma forma de lembrar a si próprio que era dia de Copa. Depois da final, em 13 de julho, ela ganhou um tom nostálgico, virou uma canção de despedida e saudade. A Copa das Copas, um bordão até então de cunho meramente político, acabou se encaixando aos fatos. Sim, teve muita Copa, e tudo começou há exatamente um ano.

Já em sua primeira partida o Mundial no Brasil deu pistas de que derrubaria muitos prognósticos, bons ou ruins. "Não vai ter Copa!", o grito dos descontentes que alertou as autoridades em 2013 na Copa das Confederações, ecoou desta vez bem longe dos estádios e perdeu força com o decorrer do torneio. Em vez de Neymar, o primeiro gol da Copa saiu com o lateral Marcelo, e contra. A estreia da seleção da casa, contra os croatas, foi dura, e acabou em vitória por 3 a 1 com uma generosa ajuda da arbitragem, que anotou pênalti inexistente em Fred quando o placar marcava 1 a 1. Ver a "família Scolari" chorar na execução do Hino Nacional ainda era visto como sinal de comprometimento, e não de fraqueza, detectada nas oitavas de final, na disputa de pênaltis com o Chile, e escancarada com o vergonhoso 7 a 1 para os alemães, no Mineirão.

Em campo, não faltaram gratas surpresas. A surra holandesa de 5 a 1 aplicada na então campeã mundial Espanha, eliminada na primeira fase. O talento do colombiano James Rodríguez, artilheiro do torneio. O oportunismo do alemão Miroslav Klose, maior goleador da história das Copas. A campanha histórica da Costa Rica, que foi às quartas de final e parou nas mãos do goleiro Krul, que entrou em campo apenas para a disputa de penalidades, uma aposta de risco de Louis van Gaal, técnico da Holanda. Aliás, esta foi a Copa dos goleiros: Neuer, Keylor Navas, Bravo, Ochoa, Howard, Romero... Julio Cesar? Melhor seguir o jogo.

Susto também teve. O desmaio assustador do holandês Martins Indi. A falta de noção do colombiano Zuñiga, que tirou Neymar precocemente da Copa por cuasa de uma joelhada imprudente nas costas do camisa 10 brasileiro. O instinto animal do uruguaio Luis Suárez, que mordeu o ombro do italiano Chiellini.

Além da seleção alemã, que esbanjou carisma e interação por onde passou, os torcedores aproveitaram demais a Copa. Os gringos, então... O temor dos estrangeiros com a violência e outros problemas sociais do país foram esquecidos logo após o primeiro gole de cerveja (ou de água, ou de bebidas mais fortes) na Vila Madalena (São Paulo), na orla de Copacabana (Rio de Janeiro), no Pelourinho (Salvador) e nas demais confraternizações ao ar livre que locais e visitantes promoviam diariamente nas cidades-sede. Foi a prova viva de que o Brasil é muito mais do que o clichê "samba e caipirinha". Uma pena que, ao fim do evento, muitas das melhorias e promessas de legado que a Copa deixariam foram só para inglês ver.

A Copa das arenas padrão Fifa gerou cenas pitorescas, que só o Brasil seria capaz de promover. Teve jogador na fila da lanchonete fast food. Teve torcedor inglês pelado na Arena da Amazônia, em Manaus. Teve repórter de TV ganhando beijo roubado de croata em rede nacional na Avenida Paulista. Teve craque da Alemanha cantando o hino do Bahia e tirando foto com índios. Teve Fuleco flagrado em cima de uma motocicleta.

A Copa das Copas conquistou público e crítica até quando agiu com requintes de crueldade. Como já era esperado, boa parte dos estádios reformados ou construídos para o torneio caiu no desuso e virou elefantes brancos, e caros de se sustentar. O "apagão" que levou ao 7 a 1 mostrou o quanto o futebol brasileiro estava obsoleto em campo, pelo baile promovido pela Alemanha numa semifinal, e fora dele, com as desculpas esfarrapadas ditas após o vexame no Mineirão, como a "carta de apoio" de Dona Lucia, esse ser imaginário que nunca foi mostrado pela CBF, e a dificuldade de Felipão e Parreira em admitir o fracasso e o excesso de favoritismo colocado sob os ombros da seleção brasileira.

Aí você olha para trás, percebe que um ano se passou e nada mudou na estrutura do futebol cinco vezes campeão mundial. Aliás, só piora, com as suspeitas de corrupção que rondam a alta cúpula da CBF - José Maria Marin já foi preso, Ricardo Teixeira pode ser o próximo e Marco Polo del Nero tenta convencer a todos de que não tem nada a ver com isso. Realmente, 7 a 1 foi pouco.

O fato é que o Mundial mostrou a força e a energia que o Brasil emana quando o assunto é futebol. Deveria ter Copa sempre aqui. Um ano atrás, a gente era feliz e não sabia.

Fonte: iG Esportes

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